A trajetória da Vessi: como uma marca criada por duas amigas ganhou espaço na moda feminina brasileira
Criada em Londrina por duas amigas que deixaram a advocacia para empreender na moda, a marca brasileira cresceu 566% em 2026, começou a vender para outros países e agora prepara sua entrada no atacado.
31 de ago. de 2026
A história da Vessi começou muito antes de existir uma primeira coleção. Gabriela e Ana Luiza se conheceram aos 13 anos, estudaram juntas durante a adolescência e, anos depois, voltaram a dividir a mesma escolha profissional ao cursar Direito. Depois da faculdade, seguiram para escritórios diferentes em Londrina, no Paraná, mas não demoraram a perceber que a carreira que haviam escolhido não era onde pretendiam permanecer.
No terceiro ano de advocacia, decidiram mudar de direção. Nenhuma das duas tinha experiência no mercado de moda, mas compartilhavam a vontade de construir um negócio próprio. Com um investimento de R$ 10 mil de cada uma, começaram a desenvolver o que viria a ser a Vessi.
Os R$ 20 mil iniciais financiaram a primeira coleção e uma operação que, no começo, funcionava inteiramente dentro de casa. O apartamento de Ana Luiza virou escritório, a casa de Gabriela recebeu o estoque e praticamente todas as etapas passavam pelas duas, da busca por fornecedores e desenvolvimento das peças à organização dos pedidos.
Ao longo de 2023, a marca foi sendo construída longe do público. Foram meses dedicados ao desenvolvimento de produto, escolha de fornecedores, registro e definição dos primeiros caminhos da Vessi até o lançamento oficial, em 13 de dezembro daquele ano.
O período seguinte foi de experimentação. Durante 2024 e o primeiro semestre de 2025, Gabriela e Ana Luiza testaram tecidos, produtos, fornecedores e estratégias comerciais enquanto entendiam quais escolhas encontravam resposta entre as clientes e, principalmente, quais faziam sentido para a identidade que queriam construir.
Menos de três anos depois, a escala é outra. Em 2026, a Vessi cresceu 566% em relação ao ano anterior, conquistou suas primeiras clientes nos Estados Unidos, Europa e Ásia e deixou a operação dividida entre duas casas para ocupar um escritório próprio. O crescimento marca uma nova fase para uma empresa que começou pequena, mas que agora se prepara para ampliar sua presença dentro e fora do Brasil.
O produto como ponto de partida
Foi a partir do segundo semestre de 2025 que a identidade da Vessi começou a ficar mais definida. Com o amadurecimento da operação, Gabriela e Ana Luiza passaram a investir em tecidos mais sofisticados, construções mais elaboradas e fornecedores especializados, aproximando o produto daquilo que imaginavam para a marca desde as primeiras coleções.
Nesse processo, a modelagem ganhou um papel central. Para as fundadoras, não basta que uma peça funcione visualmente. A construção precisa aparecer também no corpo, seja pelo caimento, pela silhueta ou por algum elemento capaz de diferenciá-la quando vestida.
Esse olhar acompanha todo o desenvolvimento, da escolha dos tecidos e das primeiras ideias às provas de modelagem e aos ajustes finais. É na combinação entre materiais, construção e criatividade que a Vessi vem definindo sua linguagem.
A evolução do produto aconteceu ao mesmo tempo em que a empresa ganhou escala. Em 2026, a marca passou a contar pela primeira vez com um escritório próprio, um espaço dedicado ao estoque e uma equipe em expansão.
No mesmo período, vieram as primeiras vendas internacionais. Peças da Vessi já chegaram a clientes nos Estados Unidos, Europa e Ásia, abrindo uma frente que começa a ocupar um espaço maior nos planos da empresa.
Um vestido e mais de 400 nomes na espera
Um dos sinais mais recentes dessa nova fase apareceu antes mesmo de uma peça chegar ao e-commerce.
O Vestido Olimpia, apresentado por Gabriela e Ana Luiza nas redes sociais antes de seu lançamento oficial, despertou uma procura imediata. Quando a marca abriu uma lista de espera para o modelo, mais de 400 pessoas se cadastraram para aguardar sua chegada.
O movimento mostra uma mudança importante na relação entre a Vessi e suas clientes. Se nos primeiros anos Gabriela e Ana Luiza ainda testavam produtos para entender quais encontravam maior resposta entre o público, agora algumas peças começam a despertar interesse antes mesmo de estarem disponíveis para compra.
As redes sociais têm participação nesse processo. Ao antecipar produtos, mostrar novidades e compartilhar parte do desenvolvimento das coleções, as fundadoras aproximaram as clientes dos bastidores da marca. O lançamento, assim, deixa de começar apenas quando uma peça entra no site: o desejo passa a ser construído antes.
No caso do Olimpia, as mais de 400 pessoas na lista de espera transformaram o vestido em um dos produtos de maior expectativa da história da Vessi até aqui.
Próximos passos
Entre os próximos movimentos estão a ampliação da presença da marca no Brasil, a estruturação de uma operação de atacado e o avanço no mercado internacional. A ideia é criar novos canais de crescimento enquanto o desenvolvimento de produto continua no centro da estratégia.
Agora, a Vessi entra em uma etapa diferente: depois de encontrar sua identidade e ganhar escala, o próximo movimento é levar a marca a novos mercados sem perder o cuidado com o produto que acompanhou sua construção desde o início.