Brasileiros lançam Rogue para disputar espaço com plataformas globais de IA
Com comandos por texto ou voz, a plataforma cria projetos digitais e entra na disputa por velocidade e preço.
29 de out. de 2026
Na semana passada, uma multidão de aliens foi avistada pelas ruas de São Paulo. Nas redes sociais, circularam vídeos das figuras de terno caminhando entre pedestres, entrando em ônibus e se amontoando no metrô. Na Faria Lima, as aparições provocaram curiosidade e alimentaram teorias sobre o que estava acontecendo.
Dias depois, veio a explicação: era a campanha de lançamento da Rogue, plataforma brasileira de inteligência artificial. A lógica está na frase que acompanha a marca: “Se você consegue descrever, a Rogue constrói”. Por texto ou voz, o usuário cria sites, apresentações, aplicativos, vídeos, imagens, músicas e jogos, com ajustes feitos na própria conversa.
O funcionamento segue três etapas: descrever, construir e usar. O usuário explica o que precisa, acompanha a execução e pede mudanças até chegar à versão pronta para publicar ou utilizar. Além de gerar conteúdo, a plataforma cria agentes de IA que executam tarefas e apoiam processos de trabalho.
Mais rápida e mais barata
A Rogue chega para disputar espaço com ferramentas estrangeiras como Lovable, Bolt e Manus. Para conquistar usuários, concentra seus argumentos em duas frentes: velocidade e preço.
Segundo a empresa, a plataforma constrói sites, slides, vídeos e até bases de código complexas até dez vezes mais rápido que os concorrentes. Os modelos disponíveis vão de opções mais acessíveis para tarefas do dia a dia aos chamados modelos de fronteira, entre os mais avançados do mercado.
No preço, a Rogue anuncia um plano ultrarrápido de US$ 10 por mês. A empresa afirma que o principal plano concorrente dessa categoria custa pelo menos US$ 500 mensais. Também oferece acesso gratuito durante o beta, sujeito a limites de uso.
A diferença tem um objetivo: colocar ferramentas de criação e desenvolvimento ao alcance de pessoas e negócios que precisam produzir, mas não têm orçamento para manter várias assinaturas ou contratar uma equipe para cada entrega.
A tecnologia por trás
Parte dessa conta fecha pela maneira como a plataforma foi construída. A equipe treinou um roteador de esforço, sistema que escolhe o nível de raciocínio necessário para cada pedido. Uma solicitação simples e um problema complexo recebem quantidades diferentes de processamento.
Segundo a Rogue, essa tecnologia permite que empresas mantenham o desempenho dos modelos de fronteira que já utilizam, com até 40% menos custo e maior velocidade de execução.
Para as tarefas mais difíceis, os pesquisadores desenvolveram o Rogue Constellation, que coordena modelos da OpenAI e da Anthropic. De acordo com a empresa, o sistema supera concorrentes de ponta em testes de programação, mantendo o mesmo custo por tarefa.
“Nosso trabalho de pesquisa está em fazer a inteligência artificial entregar mais com menos. Construímos uma arquitetura que decide, a cada pedido, como e quanto o modelo precisa pensar. É isso que nos permite ser mais rápidos, mais baratos e mais potentes ao mesmo tempo, sem que o usuário precise abrir mão de qualidade”, afirma Rafael Coelho, cientista-chefe e líder de pesquisa em IA da Rogue.
Para pequenos e grandes negócios
Um dos públicos da plataforma são empreendedores que acumulam funções. Um negócio recém-aberto precisa de um site para divulgar seus serviços, de uma apresentação para potenciais parceiros e de peças para as redes sociais. Na Rogue, essas entregas são desenvolvidas no mesmo ambiente, por meio de pedidos e ajustes na conversa.
A plataforma reúne seis frentes: Sites, Apresentações, Chat, Code, Browser e Design. Elas permitem publicar páginas, montar slides, pesquisar assuntos, gerar imagens e desenvolver aplicativos, sistemas e automações. O Browser acrescenta a execução de tarefas no navegador por comando.
Para quem não programa, a conversa é o caminho para começar a construir. Para desenvolvedores, as ferramentas de código atendem projetos com mais etapas e funções. Os agentes ampliam esse uso ao executar sequências de tarefas, levando a plataforma além da produção de textos e imagens.
Orgulho de ser brasileiro
A Rogue foi desenvolvida no Brasil por uma equipe de pesquisadores, engenheiros e criadores brasileiros. O trabalho inclui sistemas próprios, como o Constellation e o roteador de esforço, que coordenam o uso de modelos internacionais. A empresa já tem um plano de internacionalização em andamento.
“Os brasileiros estão por trás de boa parte da tecnologia que o mundo usa, mas a bandeira no produto quase nunca é a nossa. A Rogue nasce para mudar isso. Queremos fincar a bandeira do Brasil no mapa mundial da inteligência artificial, e mostrar que a próxima grande plataforma de IA pode sair daqui”, afirma Matheus Bastos, CEO da Rogue.
A campanha levou os aliens às ruas de São Paulo. Agora, a Rogue quer levar a tecnologia desenvolvida aqui a outros mercados. A plataforma já está disponível em versão beta, com acesso gratuito sujeito a limites de uso, em rogueon.ai.