GINGER: um desejo antigo que se transformou em uma marca com identidade própria
Por Marina Ruy Barbosa
Aos 25 anos, a atriz transformou um desejo antigo em realidade e fundou uma marca que espelha seu olhar pessoal para moda, propósito e futuro.
22 de dez. de 2025

Criar a Ginger foi menos um rompimento e mais uma continuidade natural do caminho que Marina Ruy Barbosa já vinha desenhando. Mesmo com uma carreira consolidada como atriz e embaixadora de grandes marcas, aos 25 anos ela sentia crescer a vontade de produzir, realizar e abrir novas frentes para o seu futuro profissional. A marca não surgiu como resposta direta à pandemia, mas de um desejo antigo de criar algo próprio, autoral e com intencionalidade, algo que já se manifestava nas linhas assinadas que desenvolvia para outras marcas.
Com o audiovisual paralisado, a pandemia acabou funcionando como uma pausa forçada que trouxe tempo para reflexão, estudo e estruturação do projeto. Mudanças de planos, o retorno ao Brasil e um período intenso de aprendizado vieram acompanhados de medo e desafios, equilibrados por convicção e pela ampliação do olhar de Marina para o universo dos negócios e para novas oportunidades.
Desde o início, a Ginger nasceu profundamente conectada ao seu olhar pessoal, mas nunca foi pensada como uma marca dependente da sua imagem pública. A intenção sempre foi construir algo com vida própria, capaz de caminhar sozinho. Hoje, mesmo com poucos anos de existência, a Ginger já ocupa um espaço claro dentro da moda nacional e segue crescendo de forma independente. Para Marina, esse é um sinal evidente de amadurecimento: a marca carrega valores nos quais ela acredita, sem precisar da “Marina pessoa física” para existir. A exposição impulsiona números, mas não é o que sustenta o negócio.
No dia a dia, seu envolvimento com a Ginger é direto. Marina participa da pesquisa, da construção de conceito, do desenvolvimento das coleções, da escolha de tecidos e acompanha de perto croquis, provas e ajustes. Embora conte com uma equipe que considera essencial para elevar o resultado final, faz questão de aprender e construir junto em todas as etapas. Esse acompanhamento próximo faz parte da sua forma de criar e reforça a importância que dá ao domínio sobre o próprio negócio.
Quando o assunto são colaborações, Marina não parte de nomes ou alcance, mas de afinidade. Para ela, parcerias fazem sentido quando existe conexão real de valores e estética, e quando acrescentam algo novo à Ginger sem descaracterizar a marca. O interesse está em projetos que dialoguem com design, arte e cultura — brasileiros ou internacionais — mantendo uma identidade clara ao longo do percurso.
O futuro da Ginger passa justamente por esse equilíbrio. Para Marina, fortalecer a identidade brasileira da marca e expandir internacionalmente não são caminhos opostos, mas complementares. Levar a Ginger para outros mercados significa traduzir sua proposta com inteligência, sem diluir o que a diferencia. Daqui a cinco anos, ela espera ver a marca com processos mais maduros, produtos desejados e presença estratégica fora do Brasil, crescendo de forma orgânica e sendo reconhecida como uma label autoral, capaz de atravessar ciclos e momentos distintos da moda.