Haoma planeja crescer 80% em 2026 e consolida a Páscoa como estratégia de expansão

Por Juju Norremose

Com 20% do faturamento anual concentrado no período, Juju Norremose fala sobre estratégia, inovação, expansão e o futuro da marca.

3 de mar. de 2026

A Páscoa representa hoje cerca de 20% do faturamento anual da Haoma, considerando não apenas os produtos sazonais, mas toda a movimentação dos dois meses que envolvem esse período. É um momento muito relevante para a marca, tanto do ponto de vista de resultado quanto da construção de relacionamento com o consumidor.

Para 2026, a expectativa é crescer aproximadamente 80% em relação ao ano passado. Esse avanço é impulsionado pela expansão das lojas próprias, pelo aumento da capacidade produtiva e pelos ganhos contínuos de eficiência operacional, pilares que sustentam uma estratégia de crescimento estruturado, escalável e sustentável no longo prazo. Mais do que um pico de vendas, a Páscoa é vista como um momento estratégico para fortalecer a marca, atrair novos clientes e gerar recorrência ao longo do ano.

Páscoa como plataforma de inovação 

A Páscoa é um dos momentos mais importantes do ano para a Haoma. É quando a marca consegue reunir tudo o que acredita como identidade: inovação, criatividade e proximidade com o consumidor. Ela funciona como um verdadeiro laboratório. É nesse momento que novos sabores são lançados, muitos dos quais evoluem e entram no portfólio ao longo do ano, como a Linha Pistache, que nasceu na Páscoa de 2024 e segue entre as best sellers da marca.

A Haoma se reinventa a cada edição. Todos os anos constrói uma identidade nova, ousa mais e explora caminhos que reforçam o posicionamento como uma marca contemporânea e criativa. Esse movimento cria expectativa na comunidade e fortalece a conexão com o público.

Em relação ao foco, a estratégia é equilibrada. A Páscoa é um grande gerador de caixa, por ser o principal momento de receita da empresa, mas também uma oportunidade relevante para fortalecer a marca e atrair novos clientes. Quando inovação, desejo e escala se encontram, os três objetivos caminham juntos. A Páscoa funciona como uma alavanca estratégica: gera resultado no curto prazo, fortalece a marca no longo prazo, amplia a base de consumidores e produz insights relevantes para o desenvolvimento de novos produtos ao longo do ano. É um momento de crescimento, aprendizado e preparação.

A data permite testar novos sabores e combinações com mais liberdade, entender a aceitação do público e gerar aprendizados que direcionam o portfólio anual.

Quando a inovação é bem construída, ela impacta naturalmente outros pilares. Produtos novos e desejados elevam o ticket médio, fortalecem a percepção de valor da marca e contribuem para uma margem mais saudável no longo prazo. Embora exista um olhar constante para rentabilidade e eficiência, a prioridade foi criar um portfólio relevante, criativo e alinhado ao posicionamento da Haoma. A capacidade de inovar todos os anos mantém a marca em movimento, gera expectativa na comunidade e sustenta o crescimento.

O impacto do cenário global do cacau

O mercado atravessa um dos ciclos mais intensos de valorização da commodity nas últimas décadas, pressionando toda a cadeia produtiva e exigindo maior eficiência operacional, planejamento estratégico e rigor financeiro para sustentar padrão de qualidade sem transferir integralmente os aumentos ao consumidor.

Em 2025, a escalada global do preço do cacau foi o principal fator de impacto sobre o lançamento. Já em 2026, observa-se um movimento de retração nas cotações, com melhora das margens e maior previsibilidade na estrutura de custos.

Nesse cenário, o modelo Bean to Bar se mostra decisivo. Ter fábrica própria e controle da cadeia produtiva garante previsibilidade, poder de negociação e eficiência operacional. Isso reduz a volatilidade, protege a margem e preserva a qualidade, considerada inegociável para a marca.

A logística deixou de ser um gargalo e se tornou uma fortaleza. A evolução em processos, distribuição e gestão de estoque sustenta a expansão física e melhora a experiência do cliente, tanto no B2B quanto no consumidor final. Nas cidades onde a Haoma já opera, as entregas podem acontecer em até três horas, reforçando a conveniência e a proximidade com a comunidade.

A capacidade produtiva própria também garante autonomia, flexibilidade e velocidade para inovar, ajustar a produção e lançar novidades sem depender de terceiros. O desafio está em equilibrar crescimento com controle, preservando a qualidade.

Vantagem competitiva 

Hoje, a principal vantagem competitiva defensável da Haoma está na combinação entre branding, comunidade e canal de distribuição. A formulação é importante, mas, no longo prazo, o que sustenta o negócio é o ecossistema construído ao redor da marca.

A Haoma nasceu com um produto diferenciado, sem adição de açúcar e com ingredientes de alta qualidade, mas evoluiu para algo maior: uma marca com identidade clara, proximidade com o consumidor e forte capacidade de gerar desejo. O branding cria conexão emocional, refletida em recorrência e fidelização.

A construção de comunidade é central, seja por meio das redes sociais, influenciadoras ou do programa de fidelidade Haoma Club. A expansão de lojas próprias, o omnichannel e a proximidade com o cliente garantem controle sobre experiência, dados e margem, criando barreiras relevantes para novos entrantes. 

Entre influência e estrutura: a evolução da Haoma

Juju Norremose, como sócia da marca e uma das maiores influenciadoras do Brasil, teve papel fundamental na construção e no crescimento da Haoma. Ela ajudou a moldar a identidade, o propósito e a conexão genuína com o público desde o início.

Ao mesmo tempo, a marca amadureceu. Hoje, o crescimento está cada vez mais ligado à força do produto, à expansão física consistente, à solidez da operação e à construção de um ecossistema de marca mais amplo. A Haoma investe em branding, experiência, comunidade e presença física para garantir crescimento sustentável e relevância própria. Um time com mais de 300 embaixadores amplia a presença da marca de forma descentralizada, orgânica e consistente.

Críticas, aprendizado e evolução

Desde o início, a principal crítica foi o preconceito em relação ao chocolate sem adição de açúcar, associado à ideia de que não poderia ter o mesmo nível de sabor e indulgência dos chocolates tradicionais. Isso nunca foi visto como problema, mas como direcionador estratégico.

O caminho escolhido foi fazer as pessoas provarem. Investimentos em degustação, experiência e proximidade quebraram essa barreira, e hoje grande parte do crescimento vem dessa mudança de percepção.

O mercado de alimentação evolui rapidamente, com consumidores cada vez mais informados e exigentes em relação à transparência, qualidade e inovação. A Haoma evolui constantemente, inovando os produtos junto com o avanço da nutrição, comunicação e experiência. Cada crítica é tratada como oportunidade de aprendizado e evolução.

Crescimento, investimento e M&A

A Haoma cresce combinando expansão orgânica com inteligência estratégica. Não busca investimento a qualquer custo. O foco sempre foi construir uma base sólida, com produto forte, marca relevante e operação estruturada. A empresa está aberta a parceiros estratégicos que acelerem crescimento, expansão e distribuição, desde que exista alinhamento de visão.

O que seria inegociável em qualquer investimento ou aquisição é a preservação da essência da Haoma: qualidade, ingredientes, transparência, respeito ao consumidor, cultura e time.

Dentro do ecossistema de food brands no Brasil, a marca está em fase de consolidação e expansão, após superar a validação de produto e modelo. O próximo ciclo é transformar relevância em liderança de categoria.

Expansão internacional e próximos passos

A expansão internacional já faz parte da visão de longo prazo. Existe demanda espontânea fora do Brasil, presença nos Estados Unidos e exportação de parte do portfólio. A Europa é vista como um mercado com grande potencial, especialmente pela afinidade com produtos de origem, qualidade e transparência. O processo é conduzido com cautela, priorizando consistência e construção de marca no longo prazo.

O chocolate segue como centro do negócio. A inovação acontece dentro da própria categoria, explorando combinações, texturas e formatos, como Biscottino, Nuage e as paçocas. Também envolve ingredientes, tecnologia produtiva, shelf life, embalagem e sustentabilidade, sempre integrada à cultura da empresa.

O mercado caminha para marcas que constroem conexão, comunidade e presença contínua no dia a dia das pessoas. O próximo movimento da Haoma não está apenas no produto, mas na construção de marca e na capacidade de gerar relevância constante, entendendo melhor o cliente e criando vínculos duradouros. O objetivo é crescer de forma estruturada, sustentável e com foco no longo prazo.