O Brasil entra no topo do Michelin pela primeira vez
Com Evvai e Tuju alcançando três estrelas, São Paulo passa a integrar o circuito mais restrito da gastronomia mundial.
14 de abr. de 2026
O Guia Michelin 2026 não trouxe apenas ajustes na lista brasileira. Ele alterou o lugar do país dentro do próprio guia. Pela primeira vez, o Brasil passa a ter restaurantes com três estrelas, a classificação máxima concedida pela publicação. Os escolhidos foram Evvai e Tuju, ambos em São Paulo.
A mudança é objetiva. Restaurantes nessa categoria não operam apenas como bons endereços dentro de uma cidade, passam a ser considerados destinos em si. Na leitura do Michelin, são casas que justificam uma viagem.
No caso do Evvai, o guia destaca uma cozinha que parte das raízes italianas, reinterpretadas a partir de ingredientes brasileiros. Sob comando de Luiz Filipe Souza, o restaurante trabalha com menus degustação que evoluem ao longo do ano, refletindo essa combinação entre tradição e contexto local.
Já o Tuju, comandado por Ivan Ralston, é apresentado pelo Michelin a partir de sua relação próxima com produtores e do uso criterioso de ingredientes sazonais. O menu degustação acompanha esse ritmo, com foco na procedência e na construção dos pratos a partir desses insumos.
O avanço no topo não veio acompanhado de uma expansão ampla da lista. A base do guia segue concentrada e com crescimento controlado.
Na categoria de duas estrelas, permanecem D.O.M., Oro e Lasai.
Entre os restaurantes com uma estrela, a principal entrada é o Madame Olympe, enquanto o restante da lista mantém nomes que já operam com alta demanda e presença constante no guia.
A edição de 2026 organiza o Brasil da seguinte forma: 2 restaurantes com três estrelas; 3 restaurantes com duas estrelas; 19 restaurantes com uma estrela e 44 na categoria Bib Gourmand.
A distribuição segue concentrada entre São Paulo e Rio de Janeiro, sem expansão para novas cidades.
O que muda, de fato, não está na quantidade de restaurantes listados, mas na leitura externa do país. Até então, o Brasil aparecia como uma cena relevante, mas ainda distante do nível mais alto do guia. Com dois três estrelas, passa a integrar o grupo de destinos que operam nesse patamar, ainda que de forma pontual. Essa mudança reposiciona São Paulo de forma direta.
A cidade deixa de ser apenas um mercado consistente dentro do Michelin e passa a ser um destino que entra na rota de quem organiza viagens a partir de restaurantes. Esse deslocamento tende a ter efeito prático: mais atenção internacional, aumento de demanda e maior pressão sobre reservas.
Pela primeira vez, o país não está apenas acompanhando o guia. Está no topo dele.