Andbank: o modelo de Private Banking que escolheu não crescer em escala

Em um mercado que ampliou o acesso ao Private Banking, o Andbank Brasil segue outro caminho: limita sua base de clientes, abre contas por convite e mantém um modelo boutique construído ao longo de mais de 95 anos.

15 de set. de 2026

Quando o Private virou escala

Durante muito tempo, Private Banking significou uma relação reservada a um grupo restrito de clientes, construída a partir de atendimento próximo, conhecimento do patrimônio e decisões que iam além da gestão de uma carteira de investimentos.

O crescimento desse mercado mudou parte dessa dinâmica. À medida que grandes instituições ampliaram suas bases, o segmento também passou a atender um número maior de clientes.

É nesse ponto que surge uma questão importante: quanto um banco consegue crescer sem transformar uma relação individual em escala?

O Andbank Brasil decidiu responder a essa pergunta impondo limites ao próprio crescimento.

A abertura de conta não é automatizada nem aberta ao público. O ingresso acontece por convite e relacionamento prévio, com uma avaliação de perfil antes da entrada do cliente. Cada banker também trabalha com um número máximo de carteiras, justamente para preservar o acompanhamento individual.

Não se trata, portanto, apenas de estabelecer um corte patrimonial. A seletividade faz parte do funcionamento da operação.

Um banco familiar há três gerações

A lógica boutique não começou no Brasil.

O Andbank foi fundado em Andorra, em 1930, pelas famílias Cerqueda e Reig. Mais de 95 anos depois, permanece sob controle familiar e independente, com a terceira geração das famílias fundadoras participando do Conselho de Administração do Grupo.

Hoje, a instituição está presente em nove países: Andorra, Espanha, Luxemburgo, Mônaco, Brasil, Panamá, Uruguai, Estados Unidos e Suíça. Segundo dados fornecidos pelo banco, são mais de R$ 375 bilhões em ativos globais administrados.

A presença internacional, porém, não foi usada para transformar o banco em uma operação de massa. A proposta é combinar uma estrutura global com uma relação próxima no atendimento.

No Brasil, isso significa que os clientes podem ter acesso direto a diretores e profissionais seniores, além de especialistas em áreas que vão além dos investimentos, incluindo sucessão, tributação e governança.

Quando atender menos é uma escolha

Existe uma diferença entre não conseguir crescer e escolher não crescer a qualquer custo.

No Andbank, existe um teto de clientes por banker. Na prática, isso impede que um mesmo profissional acumule indefinidamente novas relações conforme a base do banco aumenta.

A decisão interfere diretamente no modelo de negócio. Se existe um limite de clientes por profissional e um filtro na entrada, aumentar o volume deixa de ser o principal objetivo da operação.

Essa escolha também aparece na estratégia comercial. O banco afirma não buscar exposição de massa ou uma expansão agressiva da base, priorizando a manutenção do formato boutique.

É uma lógica que vai na direção contrária de um mercado acostumado a medir crescimento pelo tamanho da operação: crescer sem permitir que o relacionamento seja diluído.

Patrimônios que atravessam gerações

Essa proximidade ganha outra dimensão quando o horizonte deixa de ser o próximo investimento e passa a incluir a próxima geração.

A atuação do Andbank inclui planejamento sucessório, governança familiar, eficiência tributária, estruturas offshore e seguros, além da gestão de investimentos. O banco também atua em Investment Banking, com assessoria em fusões e aquisições, estruturação de dívidas e soluções para empresas familiares.

Na área de investimentos, o modelo utiliza arquitetura aberta e mantém parcerias com mais de 30 gestores independentes, sem obrigação de concentrar as recomendações em produtos próprios. 

A ideia é que a relação não termine em uma aplicação ou em determinado ciclo de mercado. O foco declarado está na governança, na proteção e na continuidade do patrimônio familiar ao longo das gerações.

O que ainda significa ser Private

A expansão do Private Banking tornou o segmento acessível a uma base maior de clientes, mas também colocou em discussão o próprio significado da palavra private. Se o atendimento cresce na mesma velocidade que a carteira de clientes, a exclusividade passa a depender menos do nome dado ao segmento e mais da forma como a relação é construída.

No Andbank, a escolha foi manter essa relação restrita por desenho. A entrada por convite, o limite de clientes por banker e uma estrutura voltada ao longo prazo ajudam a explicar como o banco preserva o modelo boutique mesmo depois de mais de 95 anos de história e de uma expansão para nove países.

Em um mercado no qual cada vez mais clientes passaram a ser chamados de Private, talvez a diferença esteja justamente no que não pode ser multiplicado: tempo, acesso e proximidade.