Ranking dos melhores autódromos do Brasil
Por Nelson Piquet Jr.
O olhar de um piloto profissional sobre os circuitos que melhor traduzem técnica, desafio e corrida no Brasil.
3 de fev. de 2026
Em entrevista exclusiva, Nelson Piquet Jr revelou quais são, em sua visão, os melhores autódromos do país: uma seleção que diz sobre traçado, técnica, história e potencial esportivo. A seguir, os circuitos escolhidos, em ordem, com o que os torna relevantes no automobilismo brasileiro.
Autódromo Nelson Piquet
Projetado nos anos 1970 e rebatizado em homenagem a Nelson Piquet, o autódromo de Brasília é frequentemente apontado por pilotos como um dos melhores traçados já feitos no país. Rápido, fluido e tecnicamente exigente, privilegia curvas de alta e freadas precisas, um desenho que dialoga diretamente com padrões internacionais.
Ao longo das décadas, recebeu categorias como Fórmula Truck, Stock Car, Fórmula Indy (em projetos que não avançaram) e eventos internacionais de endurance. Seu maior trunfo sempre foi o traçado; seu maior desafio, a intermitência de investimentos e calendário. Ainda assim, para quem pilota, Brasília segue sendo referência absoluta.
Autódromo Internacional Ayrton Senna
Goiânia é, historicamente, um dos centros mais consistentes do automobilismo nacional. O circuito Ayrton Senna se consolidou como casa da Stock Car, da Copa Truck e de categorias internacionais de motovelocidade, como o MotoGP (nos anos 1980).
Seu traçado equilibrado combina curvas de média e alta com pontos claros de ultrapassagem, característica cada vez mais rara. É um autódromo que “funciona” para corrida, não apenas para hot laps. A infraestrutura, constantemente atualizada, e a cultura local ligada ao esporte a motor ajudam a explicar por que Goiânia figura tão alto na lista de Nelsinho.
Autódromo de Interlagos
Interlagos dispensa apresentações. Palco do Grande Prêmio do Brasil, o circuito paulistano é um dos mais respeitados do mundo, não apenas por sua história, mas por sua dificuldade técnica.
O traçado anti-horário, as variações de altitude e a imprevisibilidade climática fazem de Interlagos uma pista que exige leitura constante. Vitórias emblemáticas, decisões de campeonato e corridas caóticas ajudaram a construir sua aura. Para pilotos, é uma pista “viva”, que pune erros e recompensa coragem.
Autódromo Internacional de Cuiabá
Menos óbvio, mas altamente técnico, o autódromo de Cuiabá sempre foi valorizado por quem conhece profundamente pilotagem. O traçado é travado, exige precisão milimétrica e coloca o carro sob estresse constante, o que o torna um excelente laboratório para acerto e habilidade.
Historicamente, recebeu categorias nacionais e eventos regionais importantes, sendo reconhecido como uma pista “difícil”, no melhor sentido possível. Não é um circuito de espetáculo midiático, mas é um circuito de formação e refinamento técnico.
Autódromo Velocitta
O mais contemporâneo da lista, o Velocitta representa uma nova geração de autódromos no Brasil. Inaugurado em 2014, rapidamente se tornou padrão em termos de segurança, asfalto e infraestrutura.
O traçado técnico, com curvas cegas, desníveis sutis e sequências que exigem leitura fina, agrada pilotos experientes especialmente em categorias de turismo e GT. Além disso, o Velocitta ajudou a recolocar o Brasil no radar de projetos privados bem-sucedidos ligados ao automobilismo.