Wellness clubs: o “third place” da nova geração
Entre academias privativas, longevity clubs e espaços de recovery, o wellness deixa de ser apenas cuidado pessoal e passa a ocupar o lugar de restaurante, coworking e clube social na rotina das grandes cidades.
11 de mai. de 2026
O que está acontecendo globalmente é a transformação do wellness em “third place”. Não é mais só treino ou spa: vira lugar de convivência, reunião, dating, networking e construção de comunidade. Em cidades como Nova York, Londres e Los Angeles, espaços de wellness passaram a ocupar um lugar antes dominado por restaurantes, clubes privados e até coworkings. As pessoas treinam, fazem recovery, trabalham entre reuniões, encontram amigos e permanecem horas nesses ambientes.
A lógica também muda economicamente. Em vez de operar apenas como academia ou clínica, esses espaços passam a funcionar como membership clubs, construindo comunidade recorrente ao redor do lifestyle wellness. O que está sendo vendido não é apenas treino ou saúde, mas pertencimento.
Esse movimento já começa a ganhar força em São Paulo.
O The Corner Wellness, na Vila Nova Conceição, talvez seja um dos exemplos mais claros dessa nova geração local. O espaço combina treino, recovery, café, convivência e uma estética pensada para permanência. Mais do que uma academia, funciona como ponto de encontro de uma comunidade ligada a wellness, esporte e lifestyle.
O Aera Recovery, aberto recentemente no CJ Health Center, no Shopping Cidade Jardim, reúne Infrared Room, Ice Experience e Aera Boots dentro de uma operação voltada para recuperação e performance. A proposta une ciência, tecnologia, longevidade e bem-estar em um ambiente que transforma o recovery em parte da rotina.
O Awake Health, no Jardim Paulista, segue uma direção semelhante ao integrar longevidade, acompanhamento clínico, recovery e protocolos personalizados. O espaço reflete uma demanda crescente por operações que aproximam saúde preventiva, performance e lifestyle em um mesmo endereço.
O mesmo acontece com o Kontrast, que coloca contrast therapy e recuperação física no centro da experiência, aproximando o modelo brasileiro do que já acontece em mercados como Estados Unidos e Inglaterra.
Já o Gangga Wellness Club, em Pinheiros, reúne yoga, mat pilates, barre, sauna e banheira de gelo dentro de uma proposta voltada para movimento, recuperação e conexão social.
Fora dos grandes centros urbanos, o Boa Vista Surf Lodge também amplia essa lógica ao transformar esporte, hospitalidade e wellness em um único ecossistema. O projeto combina piscina de ondas, academia, recovery e gastronomia dentro de um modelo que aproxima o wellness do universo dos members clubs internacionais.
Globalmente, um dos exemplos mais emblemáticos desse movimento é o Soho Health Club, braço wellness do Soho House. O grupo vem expandindo sua atuação para além da hospitalidade tradicional ao investir em espaços focados em saúde, performance, recovery e comunidade, reforçando como wellness passou a ocupar um papel central na construção de networking e lifestyle global.
O ponto em comum entre todos esses espaços é que eles deixam de funcionar apenas como serviço. Viram ecossistemas sociais. Em muitos casos, as conexões feitas ali passam a ter o mesmo peso de encontros em restaurantes, clubes privados ou eventos profissionais.
Existe também uma mudança geracional acelerando esse comportamento. Para uma parcela crescente dos millennials e da Gen Z, socializar já não significa necessariamente sair para beber ou jantar. Morning runs, pilates, saunas, cold plunges e wellness cafés passam a ocupar esse espaço como novo ambiente de encontro.
Ao mesmo tempo, marcas de moda, beleza, suplementos e hotelaria perceberam rapidamente o potencial cultural desses lugares. Hoje, wellness clubs se tornaram plataformas de branding, collabs e construção de influência, atraindo um público altamente aspiracional e recorrente.
Mais do que uma tendência de comportamento, o wellness começa a redefinir a própria dinâmica social das grandes cidades.